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Calasans Neto: a vibração da Bahia através da tinta

Origins

José Júlio de Calasans Neto nasceu em Salvador, Bahia, em 1932 e tornou-se um dos artistas definidores da arte gráfica moderna baiana. Estudou primeiro pintura com Genaro de Carvalho, depois passou para a gravura através de aulas com Mário Cravo Júnior na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Essa mudança foi importante: na madeira e no metal, os Calasans encontraram uma linguagem capaz de conter a cultura popular, a literatura, o cinema e o ritmo visual de Salvador sem transformá-los em folclore. See also Delson Uchoa e a Latitude da Cor.

Sua obra madura é indissociável da cultura itapuã e da página impressa. Portfólios como Abaete: dez xilogravuras (1979), projetos públicos como Metamorfose dos Habitantes da Lagoa (1985), e pinturas como Duplicidade na Lagoa - Série Metamorfose (1987) mostram um artista retornando repetidamente à paisagem, ao mito, às formas animais e à memória costeira. Também ilustrou livros de Jorge Amado, incluindo Tereza Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste, colocando o corte direto da xilogravura em diálogo com a ficção, o cordel e o imaginário social baiano. See also Caetano Dias: Desvendando a Tela Vernacular da Bahia.

Painting by Calasans Neto

Imagem de arte.

Calasans também trabalhou fora do estúdio. Entre as décadas de 1950 e 1960, criou cenários para teatro e cinema, incluindo produções ligadas a Glauber Rocha e Ruy Guerra. Em Salvador, ajudou a fundar a Jogralesca, a revista Mapa e a Editora Macunaíma, juntando-se a uma geração que tratava arte, poesia, edição e cinema como parte do mesmo campo cultural. Sua história expositiva coloca esse compromisso local em um circuito mais amplo: ele apareceu no Museu da Universidade do Ceará, na Bienal de São Paulo em 1985 e na Bienal de Havana em 1986.

Work by Calasans Neto

Imagem de arte.

Public collections

O que dá força contínua a Calasans Neto é a maneira como suas imagens fazem o artesanato parecer mais ativo do que nostálgico. A linha de corte torna-se uma forma de pensar: o corpo, o mar, a transformação animal, a memória afro-baiana e a vida pública das imagens. Como observou o perfil do Escritorio de Arte, “Calasans Neto demonstra domínio das novas possibilidades da xilogravura”, uma descrição concisa do motivo pelo qual suas gravuras ainda parecem abertas e inventivas. Sua trajetória mostra como um artista soteropolitano pode trabalhar a partir de um lugar muito específico e ainda construir uma linguagem de alcance nacional e internacional.

Fontes:

(1) Escritório de Arte - https://www.escritoriodearte.com/artista/calasans-neto

(2) Câmara dos Deputados - https://www.camara.leg.br/internet/Eventos/Sem_Conf_Realizados/2004/GabinetedeArte/ArteBaiana/calasans_neto.asp

(3) Leilão de Arte - https://www.leilaodearte.com/leilao/2013/novembro/13/calasans-neto-duplicidade-na-lagoa-serie-metamorfose-2037/


Este artigo faz parte do Arquivo CASCA, documentando artistas visuais do Nordeste brasileiro. História sobre Calasans Neto.

Victor Yves é um designer gráfico e diretor de arte brasileiro radicado em Toronto, com atuação em projetos editoriais, branding e cultura visual. Ele é o fundador do CASCA Archive, uma plataforma de pesquisa contínua dedicada à memória gráfica do Nordeste do Brasil. v.yves@casca-archive.org Saiba mais