Isabela Seifarth artwork, Bar amigos do Nordeste, image 1 by CASCA Archive artist, approved editorial image
Imagem de abertura de “Isabela Seifarth e o Arquivo Vivo da Bahia”.

Isabela Seifarth e o Arquivo Vivo da Bahia

Origins

Isabela Seifarth constrói pinturas como densos campos narrativos, onde cenas cotidianas, festas populares, mercados, música, arquitetura, símbolos e memória histórica transitam pela mesma superfície. Sua prática está enraizada na Bahia e no Recôncavo Baiano, recorrendo a arquivos materiais e imateriais: objetos, cores, rituais, ruas, comida, canções, gestos e as formas coletivas pelas quais a cultura é veiculada. A sua própria biografia descreve uma artista visual que trabalha sobretudo através de narrativas transmitidas pela pintura, aproximando a cultura popular e os locais onde esta permanece viva. Essa ênfase é importante porque suas telas não tratam a tradição como algo distante ou congelado. Eles o pintam como ritmo social, espaço público e imaginação compartilhada. See also Guto Oca e a Lógica Rua da Cor.

As quatro obras selecionadas mostram o interesse de Seifarth por lugares que ficam lotados antes da chegada do espectador. No Bar amigos do Nordeste, o interior transborda de cadeiras laranja, piso frio, bandeiras, sanfonas, figuras pintadas, garrafas, plantas e presenças escultóricas azuis. A sala parece menos um ponto de vista único do que uma memória reunida a partir de muitas visitas. Nada é neutro: cada objeto contribui para uma atmosfera de abundância, humor, devoção e barulho. A pintura transforma um bar em um arquivo cultural, onde futebol, música, comida, enfeite e amizade tornam-se sinais igualmente importantes. See also Carybé: Bahia Desenhada como Ritual e Movimento.

Isabela Seifarth e o Arquivo Vivo da Bahia, photograph
Arte de Isabela Seifarth, cena do mercado, imagem 2

Public collections

As cenas externas expandem esse arquivo para a rua. Nas pinturas de feiras e festas, os corpos se reúnem sob bandeiras, toldos, flores, casas e céu claro. As composições são lotadas, mas não caóticas de forma descuidada. Estão organizados por circulação: pessoas se movimentando, se encontrando, comprando, assistindo, comemorando, de passagem. A cor de Seifarth é direta e acentuada, mas as pinturas também estão atentas à estrutura social. Eles perguntam como um lugar é feito por seu povo, por rituais repetidos e pela densidade visual da vida cotidiana. Na quarta obra, um mercado de gado ou feira rural torna-se cenário de trocas, presença de animais, espectadores e símbolos codificados, com a máscara pintada de onça observando do canto superior direito como se o mito e a reunião pública tivessem entrado no mesmo campo.

Isabela Seifarth e o Arquivo Vivo da Bahia, photograph
Arte de Isabela Seifarth, cena de celebração de rua, imagem 3

Para CASCA, o trabalho de Seifarth é significativo porque faz da pintura uma forma de memória situada. Sua biografia registra participações em exposições coletivas no Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu Afrobrasileiro UFBA, Casa do Benin e Solar Ferrao, além de projetos como o vídeo Feira Livre, premiado no SSA Mapping em 2018, a residência Fluxos: acervos do Atlântico Sul em 2019, o mural Salvem as Matas, Salve a Cabocla! em 2021, e participação na Dak'Art, Bienal de Dakar, em 2022. Nesse mesmo ano, O nome da terra entrou para o acervo do MAM Bahia. Através dessas obras, Seifarth trata a Bahia não como pano de fundo, mas como uma inteligência visual ativa: um arquivo vivo feito de corpos, cores, crenças, mercados, ruas e celebrações que continuam reescrevendo a imagem a partir de dentro.

Isabela Seifarth e o Arquivo Vivo da Bahia, photograph
Arte de Isabela Seifarth, cena do mercado de gado, imagem 4

Victor Yves é um designer gráfico e diretor de arte brasileiro radicado em Toronto, com atuação em projetos editoriais, branding e cultura visual. Ele é o fundador do CASCA Archive, uma plataforma de pesquisa contínua dedicada à memória gráfica do Nordeste do Brasil. [email protected] Saiba mais