RINA: Rinaldo Silva e a Força da Linha
Origins
RINA, nome que circula pela obra de Rinaldo Silva, aponta para um artista que trata a pintura como um campo de percepção rápida e de longa disciplina. Rinaldo Silva nasceu em São Paulo em 1961, após a migração de sua família de Toritama, no Agreste pernambucano. Mudou-se para Recife aos nove meses de idade e é lá que ganha corpo sua biografia artística. A Arte Plural Galeria o descreve como um pintor de cores fortes, um desenhista de linhas rápidas, um ceramista de primeiro toque e um escultor de olhar aguçado. Essa descrição é útil porque não separa o meio da atenção: para Rinaldo, linha, argila, cor e volume são formas diferentes de testar a aparência de uma figura. See also Cordel não cabe em gavetas: Marina Nabuco sobre o arquivo vivo do Instituto Brincante.
Os trabalhos reunidos para este e-mail de aprovação enfatizam esse método inquieto. As faces se duplicam, se dividem, se sobrepõem e olham para trás em mais de uma direção. Em O olhar esperando sentado e O olhar do beijo, a cabeça se torna uma arena onde perfil, máscara, memória e olhar frontal competem pela mesma superfície. Rinaldo não suaviza esse conflito em uma única semelhança. Ele deixa o desenho permanecer visível, ora nervoso, ora quase arquitetônico, para que o espectador veja as decisões se acumulando. O resultado é uma espécie de pensamento pintado: um corpo ou rosto mantido aberto enquanto cor, gesto e contorno discutem entre si. See also Delson Uchoa e a Latitude da Cor.

Public collections
Rinaldo estudou artes na Universidade Federal de Pernambuco e construiu uma prática que abrange pintura, desenho, cerâmica e escultura. Sua trajetória também pertence à cena coletiva recifense, onde os artistas trabalham frequentemente por meio de conversas, ateliês compartilhados, oficinas e críticas informais e também por meio de exposições isoladas. Relatos anteriores de sua prática o conectam a grupos e projetos como Carasparanambuco, Quarta Zona de Arte e Mercúrio 108, e a exposições com títulos que já soam como fragmentos de um teatro interior: O Peso do Corpo, Coisas da Minha Cabeça, A Madre do Tempo nos Meus Olhos e Beleza Guardada. Esses títulos ajudam a localizar os pontos de pressão recorrentes da obra: corpo, tempo, percepção, desejo e a lógica instável do olhar.

O que torna RINA atraente para CASCA é a forma como suas imagens recusam tanto a facilidade decorativa quanto a anatomia rígida. A figura está sempre presente, mas raramente funciona como ilustração. Um seio torna-se uma espiral, um olho torna-se uma dobradiça, uma boca torna-se uma fenda na superfície e um rosto pode conter várias temperaturas emocionais ao mesmo tempo. Em Musa Assanhada, Olhar a Gata e nas pequenas obras mistas da série Protege o que vejo, a marca é crua o suficiente para manter o estúdio presente; nada é superado em silêncio. A arte de Rinaldo está enraizada em Pernambuco sem se tornar um emblema regional. Está mais próximo de uma prática de olhar sob pressão: ver o corpo, a cidade, a memória da migração e a energia indisciplinada da mão como partes do mesmo problema visual.



