Bernardo Conceicao artwork, figure with floral mantle and gold adornments, image 6 by CASCA Archive artist, approved editorial image
Imagem de abertura de “Bernardo Conceição e os arranjos da abundância”.

Bernardo Conceição e os arranjos da abundância

Origins

A exposição de Bernardo Conceição na Galeria Paulo Darze foi inaugurada em Salvador no dia 22 de julho de 2025 e foi apresentada através da ideia de “arranjos”: elementos organizados por acordos, combinações, contratos, o dito e o não dito, o finito e o infinito. Na crítica de Leonardo Moraes, esses arranjos não são apenas dispositivos formais, mas estruturas sociais e espirituais através das quais a vida brasileira é mantida unida. A pintura de Conceição parte do cotidiano e o transforma em um campo denso de abundância, carinho, cuidado, alimento, cura, conhecimento e sustento. Sua entrevista com Cláudio Portugal deixa explícita a base autobiográfica: a obra nasce da pesquisa, da observação e da forma como Salvador e sua comunidade o formaram. See also J. Cunha e a imaginação gráfica da Bahia.

As sete obras selecionadas mostram um pintor construindo a presença negra através de corpos frontais, olhos luminosos, folhas luxuriantes, flores, frutos, joias, barcos, água e campos vermelhos, azuis, rosa e verdes profundos. Em uma imagem, duas figuras surgem da água azul diante de um barco cheio de flores marcado por “13 de maio de 1889” e palavras que incluem amor, justiça, fé e água. Outras pinturas colocam figuras entre folhas de bananeira, lírios, adornos de ouro, cabelos trançados e plantas exuberantes, tornando o corpo e a paisagem inseparáveis. Os números de Conceição nunca são passivos. Eles olham para trás, reúnem-se, escondem-se e revelam-se, carregam oferendas e habitam a vegetação como uma arquitetura viva. See also Anderson Santos e a Instabilidade da Figura.

Bernardo Conceição e os arranjos da abundância, photograph
Obra de Bernardo Conceição, figuras diante de barco florido, imagem 1

Public collections

Moraes descreve a exposição como imersa na herança negra e na diáspora, com símbolos de cura, nutrição, carinho e conhecimento. Essa linguagem ajuda a esclarecer por que as pinturas parecem cerimoniais sem se tornarem ilustrações. Eles estão enraizados nos mundos religiosos e culturais afro-diaspóricos, incluindo o Candomblé, a Umbanda, a Jurema, os inquices, os voduns e os orixás, ao mesmo tempo que enfrentam a intolerância religiosa contemporânea. A crítica identifica Bernardo como filho do senhor das folhas e das ervas e da senhora dos ventos e das tempestades; isso é importante visualmente porque folhas, flores, frutos, água e ar tornam-se presenças ativas nas pinturas. Eles não são antecedentes. São forças de proteção, prosperidade, fertilidade, memória e cuidado.

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Obra de Bernardo Conceição, figura com adornos azuis e dourados, imagem 2

Para CASCA, Bernardo Conceição é importante porque seu trabalho recusa a escassez como o quadro dominante para a vida negra brasileira. A crítica afirma que a exposição representa negros e brasileiros sendo alimentados pela abundância e não pela falta. Na entrevista, o artista diz que seu processo é uma busca permanente pelo amor e por diferentes formas de afeto, uma documentação de como amar em território brasileiro. Sua questão central é a identidade brasileira: o rosto genuinamente brasileiro nascido de misturas de etnias, amores e violências. Essa questão dá urgência às pinturas: cada retrato é também um arquivo de gesto, estilo, herança, beleza, memória coletiva e sobrevivência. Através dessas obras, “Arranjos” se torna uma oferta visual: pinturas que documentam o cuidado, a fraternidade, a beleza, a espiritualidade e o ato diário de se tornar negro no Brasil com prosperidade, prazer e ternura.

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Obra de Bernardo Conceição, três figuras entre folhas verdes, imagem 3
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Obra de Bernardo Conceição, retrato de grupo entre folhagens, imagem 4
Bernardo Conceição e os arranjos da abundância, photograph
Obra de Bernardo Conceição, figura solitária rodeada de folhas, imagem 5
Bernardo Conceição e os arranjos da abundância, photograph
Obra de Bernardo Conceição, figura escondida entre folhas e flores de bananeira, imagem 7

Victor Yves é um designer gráfico e diretor de arte brasileiro radicado em Toronto, com atuação em projetos editoriais, branding e cultura visual. Ele é o fundador do CASCA Archive, uma plataforma de pesquisa contínua dedicada à memória gráfica do Nordeste do Brasil. [email protected] Saiba mais