Anderson Santos artwork, figures among large plants, image 2 by CASCA Archive artist, approved editorial image
Imagem de abertura de “Anderson Santos e a Instabilidade da Figura”.

Anderson Santos e a Instabilidade da Figura

Origins

Anderson Santos nasceu em Salvador, na Bahia, em 1973, e construiu uma prática em torno da figura no ponto onde a representação começa a tremer. A Galeria Paulo Darze o identifica como pintor e desenhista: trabalha principalmente com óleo sobre tela, cartão e madeira, enquanto desenha com grafite e carvão sobre papel. Após se formar em Belas Artes pela Universidade Federal da Bahia em 1999, expôs nas principais capitais brasileiras e também mostrou trabalhos na Itália, incluindo a Expoarte em Milão durante a Expo 2015 e a Esposizione Triennale delle Arti Visive em Roma. Sua prática também se estende à pintura e desenho digital em iPad, experimentos de vídeo, pôsteres e storyboards para cinema, transportando a técnica tradicional para outros sistemas visuais. See also Adriel Santos e as Masculinidades do Sertão.

As cinco obras selecionadas mostram um pintor profundamente comprometido com cenas onde os corpos são cercados, pressionados e reconfigurados pelo mundo que os rodeia. Na primeira imagem, uma figura em pé, com jaqueta azul e calça laranja, aparece dentro de uma sala cheia de plantas, linhas, presenças de animais, fragmentos de estúdio e uma forma semelhante a uma máscara pairando atrás da cabeça. A imagem parece um retrato, mas também um interior mental: o sujeito não está isolado do ambiente, mas entrelaçado em suas ansiedades e sinais. Noutra obra, as figuras sentam-se entre folhas enormes e céus mutáveis, com a intimidade doméstica e a abundância botânica partilhando o mesmo palco instável. As pinturas não decoram simplesmente a figura com atmosfera; permitem que a sala, a vegetação e os fragmentos simbólicos se tornem forças ativas dentro da cena. See also Cordel não cabe em gavetas: Marina Nabuco sobre o arquivo vivo do Instituto Brincante.

Anderson Santos e a Instabilidade da Figura, photograph
Arte de Anderson Santos, figura em pé em interior denso, imagem 1

Public collections

O texto de Cláudio Portugal para a galeria é útil porque dá nome à tensão que anima a pintura de Santos. A sua obra é marcada pela presença humana e animal, por imagens dentro de imagens e por manchas ou proporções distorcidas que afastam o quadro do realismo estável. A influência de Francis Bacon aparece no relato do próprio Santos ao ficar impressionado com a forma como Bacon fez a tinta e a carne se dissolverem enquanto o objeto representado permanecia visível. Essa atração pela dissolução não faz Santos abandonar a figuração. Em vez disso, ele usa a figuração como um campo de estresse, onde corpos, móveis, plantas, arquitetura e animais continuam a se assemelhar enquanto se tornam mais estranhos, mais vívidos e menos seguros.

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Obra de Anderson Santos, figura sentada com fragmentos arquitetônicos, imagem 3

Para CASCA, Anderson Santos importa porque suas imagens insistem que a pintura ainda pode dificultar o visível. O corpo reclinado entre flores escuras, a mulher sentada sob fragmentos arquitetônicos quebrados e o retrato de grupo em um interior tropical saturado funcionam por meio de composição, cor e interrupção. Eles encenam a vida cotidiana como uma transição entre dois instantes, nunca totalmente parados. A figura carrega angústia, cotidiano, afeto, envelhecimento, teatralidade e memória, mas a superfície se recusa a deixar qualquer significado se estabelecer. Santos pinta e desenha não apenas o que se vê, mas o que essas cenas despertam no espectador: o contato instável entre arte e vida, corpo e imagem, reconhecimento e perturbação. É aí que o seu trabalho se torna especialmente carregado: permanece legível o suficiente para nos convidar a entrar, e depois inquieto o suficiente para manter a imagem aberta.

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Arte de Anderson Santos, corpo reclinado com flores, imagem 4
Anderson Santos e a Instabilidade da Figura, photograph
Arte de Anderson Santos, retrato de grupo em interior saturado, imagem 5

Victor Yves é um designer gráfico e diretor de arte brasileiro radicado em Toronto, com atuação em projetos editoriais, branding e cultura visual. Ele é o fundador do CASCA Archive, uma plataforma de pesquisa contínua dedicada à memória gráfica do Nordeste do Brasil. [email protected] Saiba mais